15 Julho, 2009
05 Julho, 2009
27 Junho, 2009
Charlie, o matador de árvores
09 Maio, 2009
18 Abril, 2009
03 Março, 2009
20 Fevereiro, 2009
12 Fevereiro, 2009
Contos
Logo cedo, ele entrava na sala com um grande sorriso nos lábios. Lábios bonitos que dividiam a atenção com o corpo de músculos torneados e pele queimada do sol. Vestindo jeans, camiseta estampada e usando óculos escuros, era a representação da jovialidade não menos responsável que a profissão, que tanto lhe dava prazer, exigia.
– Bom dia flores do dia! – Era assim, delicadamente bem humorado o cumprimento que recebíamos logo que nos via por perto.
Era realmente exaustivo para mim – e outras tantas adolescentes da escola – voltar à atenção apenas para a aula. Procurando não chegar tarde na sala, responder imediatamente as questões e sorrir, sorrir muito sempre que surgia uma oportunidade, foi a maneira que encontrei de chamar sua atenção. Em vão ou não, me tornei a primeira aluna da classe. Descobri-me apaixonada por ele logo no início do ano. E era amor, adolescentemente intenso, incontrolável e platônico. Platônico. Nem pensar. Em minha inexperiência, para não dizer inexistente vida amorosa, sonhava que aquela condição era apenas para não levantar suspeitas de que ele era perdidamente apaixonado por mim.
Os dias, semanas e meses passaram. Nem uma flor, nem um carinho recebi. Minha lunática paixão já esmorecia. Até que no último dia de aula, para se despedir dos alunos, ele cantou uma canção. Suave, romântica e sem desafinar. Foi a maneira que encontrou para dizer adeus. Hipnotizada pela melodia até hoje, não sei ao certo se era amor ou o fato de eu sentar na primeira carteira, mas ele cantou quase toda a música olhando para mim.
Luciana Cativo
07 Fevereiro, 2009
O Homem de Gelo da rua Market
04 Fevereiro, 2009
29 Janeiro, 2009
27 Janeiro, 2009
23 Janeiro, 2009
19 Janeiro, 2009
15 Janeiro, 2009
05 Janeiro, 2009
02 Janeiro, 2009
25 Dezembro, 2008
Um Natal em família
Meu pai contou-me esta história. Ela aconteceu no começo dos anos 20, em Seatle, antes de meu nascimento. Ele era o mais velho de seis irmãos e uma irmã, alguns haviam saído de casa.
As finanças da família estavam péssimas. O negócio de meu pai havia ido à falência, quase não havia empregos e o país beirava a recessão. Naquele ano tínhamos uma árvore de Natal mas nada de presentes. Simplesmente não podíamos comprá-los. Na véspera do Natal fomos dormir deprimidos.
Entretanto, quando acordamos na manhã do Natal, havia um inacreditável monte de presentes debaixo da árvore. Tentamos nos controlar durante o café da manhã mas aquela foi a refeição mais rápida de nossas vidas.
Então começou a diversão. Minha mãe foi a primeira. Ficamos na expectativa ao redor dela, e quando ela abriu o pacote vimos que havia ganhado um velho xale que ela tinha deixado largado vários meses antes. Meu pai ganhou um machado velho com cabo quebrado. Minha irmã ganhou seus velhos chinelos. Um dos garotos ganhou uma calça remendada e amassada. Eu ganhei um chapéu que achava tivesse deixado num restaurante um mês atrás.
Cada coisa velha trouxe uma nova surpresa. Não demorou muito para que estivéssemos rindo tanto que mal conseguíamos abrir os pacotes. Mas de onde tinha vindo toda aquela generosidade? De meu irmão Morris. Durante meses ele escondera coisas velhas das quais sabia que ninguém daria por falta. Então, na véspera de Natal, depois que todos foram para a cama, ele embrulhara em silêncio os presentes e pusera todos no pé da árvore.
Foi um dos melhores Natais que tivemos.
Don Graves
Anchorage, Alasca.
Do livro True Tales of American Life
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